As tribos maffesolianas das mães de pessoas com deficiências
mediação da informação, imaginário social e pertencimento nas redes sociais digitais
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1809-4775.2026v22n1.77820Resumo
Este ensaio teórico-reflexivo analisa a formação de agrupamentos digitais de mães de pessoas com deficiências à luz do conceito de tribos, de Michel Maffesoli, articulando-o a noções centrais da Ciência da Informação, como mediação informacional, regimes de informação e imaginário social. O objetivo é compreender como as redes sociais digitais operam como espaços de produção de pertencimento simbólico, circulação de sentidos e disputa de narrativas sobre a deficiência. Argumenta-se que, nesses ambientes, mães assumem papel ativo na mediação informacional, tensionando discursos hegemônicos e contribuindo para a reconfiguração do imaginário social sobre a deficiência por meio da visibilidade digital. Contudo, sustenta-se que o pertencimento e a rede de apoio construídos online não se convertem, necessariamente, em suporte material ou redistribuição do trabalho de cuidado, evidenciando limites estruturais que extrapolam o ambiente digital. Conclui-se que as redes sociais, ao mesmo tempo em que ampliam a mediação informacional e a produção de reconhecimento simbólico, também expõem lacunas nas políticas públicas e nas formas institucionais de apoio às mães de pessoas com deficiências. O estudo sugere a necessidade de investigações empíricas futuras que articulem pertencimento digital, mediação informacional e condições concretas de cuidado.






