As tribos maffesolianas das mães de pessoas com deficiências

mediação da informação, imaginário social e pertencimento nas redes sociais digitais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.1809-4775.2026v22n1.77820

Resumo

Este ensaio teórico-reflexivo analisa a formação de agrupamentos digitais de mães de pessoas com deficiências à luz do conceito de tribos, de Michel Maffesoli, articulando-o a noções centrais da Ciência da Informação, como mediação informacional, regimes de informação e imaginário social. O objetivo é compreender como as redes sociais digitais operam como espaços de produção de pertencimento simbólico, circulação de sentidos e disputa de narrativas sobre a deficiência. Argumenta-se que, nesses ambientes, mães assumem papel ativo na mediação informacional, tensionando discursos hegemônicos e contribuindo para a reconfiguração do imaginário social sobre a deficiência por meio da visibilidade digital. Contudo, sustenta-se que o pertencimento e a rede de apoio construídos online não se convertem, necessariamente, em suporte material ou redistribuição do trabalho de cuidado, evidenciando limites estruturais que extrapolam o ambiente digital. Conclui-se que as redes sociais, ao mesmo tempo em que ampliam a mediação informacional e a produção de reconhecimento simbólico, também expõem lacunas nas políticas públicas e nas formas institucionais de apoio às mães de pessoas com deficiências. O estudo sugere a necessidade de investigações empíricas futuras que articulem pertencimento digital, mediação informacional e condições concretas de cuidado.

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Biografia do Autor

Flávia Moraes Moreira Barros, Universidade Federal de Minas Gerais

Possui graduação em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG (2010). Especialista em Gestão Estratégica da Informação pelo Núcleo de Informação Tecnológica e Gerencial (NITEG) da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG (2013). Mestre em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação / UFMG (2017). Servidora pública federal no cargo de jornalista do Centro de Comunicação da UFMG (Cedecom) desde 2012, atuou como Coordenadora do Núcleo Audiovisual (TV UFMG) de 2017 a 2022. Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UFMG na linha de pesquisa Usuários, gestão do conhecimento e práticas informacionais (2023-2027). Tem interesse nas áreas de jornalismo científico, práticas informacionais; estudos de usuários da informação; informação e saúde; imaginários e saúde; informação e inclusão da pessoa com deficiência.

Claudio Paixão Anastácio de Paula, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

Claudio Paixão Anastácio de Paula possui estágio pós-doutoral no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict/RJ), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) - 2021/2023 e atuou como Professor Residente do Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares (IEAT) da UFMG, 2020/2022, Graduado em Psicologia pela Fundação Mineira de Educação e Cultura, mestre em Ciência da Informação pela UFMG e doutor em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo (USP). É professor Associado da Escola de Ciência da Informação da UFMG e Professor Permanente do Programa de Pós-graduação em Ciência da informação (PPGCI) da UFMG, onde, atualmente, exerce o cargo de Subcoordenador. É líder do GEDII (Gabinete de Estudos da Informação e do Imaginário) e pesquisador do EPIC (Estudos de Práticas Informacionais e Cultura) ambos grupos de estudos vinculados ao Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da UFMG (PPGCI/UFMG). Investigador Cooperante do grupo Informação, Comunicação e Cultura Digital ligado ao CITCEM, Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória, da Universidade do Porto, Portugal. Foi coordenador do curso de especialização em "Gestão da Informação e Pessoas" (GIP) e coordenador do Núcleo de Informação Tecnológica e Gerencial (NITEG), ambos da ECI/UFMG. Atua na (1) investigação das relações entre a informação enquanto um objeto de estudo interdisciplinar e as ciências que se dedicam a estudá-la; (2) da interdependência das dimensões lógica, estética e ética nos atos infocomunicacionais; (3) dos processos afetivos e simbólicos que subjazem e influenciam os fenômenos infocomunicacionais; (4) da ampliação do escopo da Ciência da Informação a partir da introdução de pesquisas que incorporem a ação do imaginário e dos conteúdos e reações inconscientes nos processos informacionais, na cognição e na interpretação da realidade de indivíduos e grupos; (5) da incorporação da perspectiva memética ao repertório epistemológico da Ciência da Informação; e (6) de uma crítica da chamada identidade brasileira a partir da sua compreensão como a idealização de uma hiperidentidade baseada em identidades múltiplas violentamente enfeixadas. Inclui, entre suas experiências, atividades junto à ACT. Inc. (Companhia especializada em avaliação e certificação educacional, ocupacional e profissional) no Brasil e em sua sede em Iowa City, EUA. Foi Membro do Comitê Executivo da International Association for Jungian Studies (IAJS). Possui capítulos de livros e artigos publicados sobre Abordagem Clínica da Informação (ACI), Psicologia da Informação, desinformação, memética, epistemologia genética da informação, imaginação, informação, imaginário, comportamento informacional, práticas informacionais, gestão do conhecimento, pós-modernidade, transhumanismo, psicoterapia, saúde, inconsciente, educação, psicologia, administração e psicologia organizacional.

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Publicado

2026-04-15

Como Citar

Moraes Moreira Barros, F., & Paixão Anastácio de Paula, C. (2026). As tribos maffesolianas das mães de pessoas com deficiências: mediação da informação, imaginário social e pertencimento nas redes sociais digitais. Biblionline, 22(1). https://doi.org/10.22478/ufpb.1809-4775.2026v22n1.77820

Edição

Seção

ENSAIOS ACADÊMICOS